18 minutos de fama

Hillary Clinton, no Ted Women
Hillary Clinton, no Ted Women

No início dos anos 80, o arquitecto americano Richard Saul Wurman fundou uma organização sem fins lucrativos especializada em promover ciclos de palestras nas áreas de tecnologia, entretenimento e design. Aproveitou as iniciais dessas palavras para baptizar o seu projecto, TED. Desde os primeiros anos, em Monterey, na Califórnia, as palestras foram uma tentativa de reunir algumas das mentes mais brilhantes do planeta. A primeira edição apresentou ao mundo o computador pessoal da Macintosh e o compact disc.
Hillary Clinton, no Ted Women: O formato original deu origem a milhares de conferências licenciadas em vários países

No início dos anos 90, o TED já era uma referência em como apresentar conteúdos complexos e inovadores de maneira concisa e acessível. Em 2001, o jornalista Chris Anderson, que na época era editor da revista Business 2.0 e de outros títulos relacionados com a internet, comprou o TED.

Com Anderson, nascido no Paquistão e educado em Oxford, na Inglaterra, o TED atingiu um novo patamar. Nessa altura, os temas discutidos extrapolavam as áreas de conhecimento originais e incluíam discussões sobre educação, política, gestão e saúde. As celebridades faziam fila para ocupar o palco e a plateia. Mas foi em 2006 que Anderson (homónimo do editor da revista americana Wired) teve uma ideia radical: decidiu oferecer gratuitamente na internet todos os vídeos das palestras. “Foi uma das melhores decisões que já tomei. O alcance do TED passou de menos de mil pessoas uma vez por ano para meio milhão todos os dias”, disse Anderson numa entrevista recente ao jornal inglês The Guardian. No aniversário dos cinco anos do site, os vídeos já tinham sido vistos 500 milhões de vezes. No total, há cerca de mil palestras disponíveis e algumas tornaram-se virais, como a da neuroanatomista americana Jill Bolte Taylor, que conta, em detalhe, a sua experiência ao sofrer um derrame.

Acesso gratuito ao conhecimento

Antes de decidir colocar as palestras gratuitamente na internet, Anderson chegou a temer que o YouTube pudesse arruinar o seu modelo de negócios. O desenlace foi, porém, o contrário. Devido ao aumento do número de interessados, o preço para assistir ao evento passou de 4 mil para 6 mil dólares. As palestras saíram do espaço em Monterey, com 800 cadeiras, para um anfiteatro de 1500 lugares em Long Beach, também na Califórnia, com transmissão simultânea para 500 pessoas num resort em Palm Springs, a duas horas de carro.

Devido ao aumento da procura, o evento passou a acontecer duas vezes por ano, a partir de 2009. No primeiro semestre, o encontro mais tradicional continua na Califórnia. No segundo, as palestras têm um carácter itinerante. Este ano, aconteceram na Escócia entre os dias 11 e 15 de Julho.

No TED, há pouco espaço para o improviso. A palestra da neuroanatomista Jill levou seis meses para ser preparada por Anderson e por uma equipa cuja missão é transformar académicos numa espécie de astros do rock. Todos têm, no máximo, 18 minutos para fazer a apresentação. Quando é conveniente, explora-se o humor com a perfeição de uma stand up comedy.

O sucesso provocado pela entrada na internet levou a um segundo fenómeno. Anderson criou, em 2009, o chamado TEDx, um licenciamento segundo o qual uma organizadora de eventos, sediada em qualquer parte do mundo, também pode realizar o mesmo tipo de palestras. Desde então, foram realizados 2038 eventos TEDx em 107 países e existem mais 1162 agendados para os próximos meses. Acessível também às empresas, o licenciamento de palestras começa a ganhar adeptos no mundo empresarial.

Palestras usadas nas salas de aula

Ao replicar o formato de palestras curtas, as empresas procuram encontrar uma maneira original de motivar os trabalhadores promovendo a troca de histórias pessoais dos funcionários e, ao mesmo tempo, melhorar a sua imagem externa. Aliar uma marca à do TED parece ser uma boa estratégia de marketing. “Estes eventos conseguem, como nenhum outro meio, colocar a sua mensagem e a sua marca em contacto com um público extremamente qualificado. Para as empresas, o TED é uma oportunidade valiosa”, diz o publicitário Rory Sutherland, vice-presidente do grupo Ogilvy em Londres.

“O YouTube tem outras fontes de vídeos inteligentes, mas o formato do TED é algo único e inovador”, diz Peter Fader, professor de Marketing da escola de negócios Wharton, da Universidade da Pensilvânia. Várias das universidades mais prestigiadas do mundo, como Harvard, Yale e Stanford, utilizam vídeos do TED nas suas salas de aula. “Quando pensa historicamente em instituições que representam o conhecimento, pensa nas universidades de ponta. Quando pensa na melhor apresentação do conhecimento no presente, pensa no TED”, diz Jonathan Greenblatt, professor de Empreendedorismo na Universidade da Califórnia. Andy Warhol tinha razão. Até os intelectuais não dispensam 18 minutos de fama.

 

Tecnologia, entretenimento, design e muito mais

O ciclo de palestras baptizado de TED nasceu com a proposta de disseminar ideias inovadoras nas áreas da tecnologia, entretenimento e design 
(daí a sigla TED). Hoje, as conferências tornaram-se uma febre na internet 
e abrangem temas diversos que vão desde a educação à gastronomia.

Como funCiona

O Ted organiza duas conferências anuais, uma na Califórnia e outra itinerante. Cada evento dura cinco dias e reúne cerca de 50 oradores, que devem apresentar as suas ideias até ao máximo de 18 minutos.

onde são vistas

Mais de mil palestras estão disponíveis em vídeo no site do Ted e espalhadas pela internet. Juntas, já foram vistas mais de 500 milhões de vezes. Há mais de um milhão 
de seguidores do Ted no Facebook.

oradores e PúbliCo

Pelos palcos do Ted já passaram Bill Gates, Al Gore, Peter Gabriel e Bono Vox. A plateia, restrita a pequenos teatros, também costuma albergar estrelas. Cameron Diaz e Meg Ryan já foram vistas nos eventos.

liCenCiamento

O Tedx, uma versão que pode ser licenciada, atrai empresas e organizações interessadas em organizar ciclos de palestras. Desde 2009, aconteceram 2038 eventos Tedx. Neste ano, serão mais de mil.

 

Palestrantes vip e plateia seleccionada: as conferências já tiveram ilustres 
oradores como 
Bono Vox, Bill Gates e o ex-primeiro-ministro Gordon Brown. A escolha da plateia também é muito selectiva

 

 

 

 

Fonte: Rxame

Fotografia: Exame

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