Sinais de progresso na Cahama

O município da Cahama apresenta sinais claros de progresso. Em pouco mais de oito de paz, essa vila viu crescer importantes infra-estruturas sociais, como hospitais, centros de saúde, escolas, melhorado o abastecimento de água potável e energia para as populações.
A administração local desenhou e está a desenvolver um ambicioso programa para a agricultura e pecuária. De passagem por Cahama, a reportagem do Jornal de Angola conversou com a administradora local, a pedagoga Margarida Ulissavo, para quem o seu município “regista bons indicadores de desenvolvimento com a recuperação o tempo perdido com as destruições e passagem para a recuperação e/ou construção de novas infra-estruturas”.
Margarida Ulissavo refere que a sua administração está a desenvolver diferentes programas que começaram com os projectos de intervenção municipal e que neste momento “estamos a implementar acções de desenvolvimento rural e de combate à pobreza que contemplam um conjunto de acções no âmbito económico e social, sobretudo aqueles que têm impacto directo para as comunidades”.
Em concreto, a administração da Cahama está a desenvolver acções no ramo da agricultura com a capacitação profissional dos camponeses, particularmente aqueles que têm baixa renda. “Estamos, também, a trabalhar num programa de incentivo à tracção animal junto da população, com a aquisição de juntas de bois com charruas”, sublinha. Clarifica que o Estado compra os animais, faz a sua entrega aos camponeses e, depois, elabora o regulamento e faz o acompanhamento no sentido de realizar a capacitação nas comunidades.
“Os camponeses precisam de perceber como trabalhar e tirar o máximo de rendimento destes meios de tracção animal que estão a receber, pois são para o benefício da própria população”, diz Margarida Ulissavo.
A estratégia é a ampliação das lavras para proporcionar mais cereais para a população, o que é complementado com o fomento pecuário, com um investimento em animais de pequeno porte, nomeadamente cabritos, por serem de reprodução mais rápida. “Isso vai ser muito benéfico para aquelas pessoas com demasiadas carências”.
Enquanto isso, as associações de camponeses estão a receber imput’s agrícolas para a lavoura, em paralelo com o desenvolvimento de programas de financiamento às cooperativas, numa experiência piloto, já com o sucesso assinalável nas áreas de Mavovo e Tchicussi. “Com os resultados desta experiência vamos beneficiar outras cooperativas. A vila da Cahama possui uma extensa cintura verde ao longo do rio, onde 19 produtores individuais se dedicam a horticultura. Para apoiar o escoamento de hortícolas, a administração adquiriu duas carrinhas de 3,5 toneladas, ao mesmo tempo que capacita e fornece imput’s agrícolas aos produtores. Um tractor está igualmente disponível para apoiar quer os horticultores, quanto as associações de camponeses. “Assim evita-se que grandes quantidades de hortícolas se deteriorem por falta de escoamento”, assevera Margarinda Ulissavo. Este município, que fica na confluência entre as províncias da Huíla e Cunene, dedica-se fundamentalmente a produção de cereiais, como massango, massambala, bem como alguns tubérculos, nomeadamente abóbora e feijão frade, mas as autoridades estão a ensaiar a produção de batata-doce e mandioca.

Protecção do gado

Com um efectivo acima de 100 mil cabeças de gado bovino, Cahama tem na pecuária a principal actividade económica. Preocupadas, as autoridades do município estão a investir “forte” na protecção do gado da população. Margarida Ulissavo refere que “para além dos serviços veterinários, estamos a criar equipas comunitárias que estão a receber formação e capacitação e que neste momento estão engajadas nas campanhas de vacinação do gado bovino”.
Essas equipas, para além de atender as questões de protecção do gado em caso de doenças, estão a ser treinadas para anteverem eventuais epidemias, completa a administradora, notando que a administração está a trabalhar para obter a estatística real do efectivo animal do município.

Aposta na saúde

O município, garante Margarida Ulissavo, está a investir na construção e reabilitação de postos e centros de saúde em toda a sua extensão. “Neste momento estamos a erguer um posto de saúde na localidade de Caluvango e a reabilitar mais quatro, nomeadamente em Cawalalawa, Wia, Tchipelongo e Otchinjau”, sublinha a administradora da Cahama.
Ela acrescenta que há uma “atenção especial” à vacinação das crianças menores de cinco anos contra a poliomielite, mulheres grávidas, pessoas vivendo com o HIV- Sida e o combate à malária, para o qual foi criada uma brigada para a sensibilização e aplicação de produtos de eliminação dos vectores da doença. “Estamos a investir, igualmente, na capacitação dos enfermeiros e parteiras tradicionais, na formação de activistas de saúde nas comunidades para melhorar os serviços de atendimento”, esclarece.

Escolas no meio rural

Pedagoga de formação, Margarida Ulissavo tem também na educação o seu “cavalo de
batalha”. “Temos em construção e em reabilitação escolas, residências para professores e sua formação para trabalharem com as acrianças, sobretudo no meio rural”, assegura.
Revela que está em fase de acabamento uma escola de oito salas de aulas e outros compartimentos e uma outra vai ser ampliada para poder receber mais alunos, mas que a velocidade da construção definitiva de escolas ainda é lenta, não tão célere como desejaríamos. “Já foi assinado o respectivo contrato e vamos iniciar a construção de seis casas para professores na comuna da Cahama”. “Assim, estamos a incentivar a construção de escolas no meio rural com recurso a material local, a comunidade constrói e nós apoiamos com chapas de zinco e com a orientação em como estas devem ser erguidas”, palavras de Margarinda Ulissavo, especificando que trinta e uma escolas e vinte e duas residências de professores vão estar cobertas de chapas com o apoio da administração.
Um apoio que é extensivo, em kit’s escolares (caderno, bata, lápis e borracha), às crianças de famílias de baixa renda do meio rural.

Recuperação do matadouro

Hoje feito um gigante adormecido, o matadouro da PECUS, localizado perto da vila da Cahama, pode retomar dentro de pouco tempo a sua actividade. Essa é á esperança da administradora municipal, preocupada com o grande efectivo animal da região que se reproduz e que por vezes provoca a escassez de pastos. “A PECCUS viveu alguns tempos difíceis, não por falta de capacidade, pois é o maior matadouro do país, com capacidade de abate de 150 animais por dia, o equivalente a 105 toneladas de carne, mas debateu-se com alguns problemas de mercado”, afirma.
A PECUS precisava de um mercado mais agressivo e capaz de consumir aquilo que pode produzir, disse Margarida Ulissavo, clarificando que “em função disso teve uma paragem durante algum tempo, mas esperamos que dentro de pouco tempo venha a retomar a produção”.
Criadores tradicionais de gado com que falámos no Cunene disseram ser necessário extrair uma boa parte do gado para criar mais espaço para pastos, por um lado, e, por outro, mostraram-se preocupados com os constantes roubos de animais.
Esse é o retrato possível da Cahama, onde a ampliação do sistema de fornecimento de energia vai em 50 por cento, enquanto a reabilitação do sistema de abastecimento de água está em 60 por cento. Um mítico município do Cunene, onde nos anos da guerra fria “o búfalo tropeçou”, como escreveu David Mestre.

Fonte: Jornal de Angola

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