Protecção do Maiombe à frente nas prioridades

O Vice-Presidente da República, Fernando da Piedade Dias dos Santos, disse ontem, em Brazzaville, que a protecção e a gestão sustentável da Floresta do Maiombe é uma das prioridades do Executivo.
Fernando da Piedade Dias dos Santos, que discursava na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo dos países membros das três bacias florestais tropicais do mundo, lembrou que no quadro da preservação da Floresta do Maiombe, o Executivo aprovoua criação de um parque nacional, tendo em vista uma zona transfronteiriça entre os países da Bacia do Congo e da reserva da biosfera.
O Vice-Presidente da República lembrou que Angola é o segundo país na região austral, depois da República Democrática do Congo, rico em florestas naturais, tendo defendido que a desflorestação exige de todos os Estados medidas rigorosas, pois empobrece os solos, desaloja e afecta populações que se dedicam à agricultura para a sua subsistência.
Fernando da Piedade Dias dos Santos defendeu a disponibilização de recursos financeiros para as principais áreas já identificadas. Acrescentou que as novas oportunidades e parcerias criadas com a Cimeira de Brazzaville podem complementar os esforços comuns e dar resposta adequada às necessidades já identificadas e reforçar as capacidades específicas e operacionais.
“Precisamos de globalizar a concretização dos nossos objectivos de sustentabilidade, para preparar a avaliação dos compromissos assumidos através das metas que nos propusemos atingir com os Objectivos do Milénio, a Cimeira do Desenvolvimento Sustentável Rio Mais 10 de 2002, as várias cimeiras sobre o Clima e Desenvolvimento e a preparação da Cimeira do Rio Mais 20”, sugeriu. O Vice-Presidente da República Informou que Angola incluiu no seu Plano Estratégico até 2025 o aproveitamento e a gestão racional dos recursos naturais, como um desafio de sustentabilidade.
O Executivo tem vindo a aprovar políticas e instrumentos jurídicos que visam a aplicação de inúmeras convenções e tratados internacionais ratificados pelo Estado e que se têm concretizado em programas, no quadro da Política Nacional das Florestas, da Protecção da Fauna, da Vida Selvagem, das Espécies em Extinção, do património Mundial e Cultural e da Biodiversidade.
“As estratégias nacionais da biodiversidade, das alterações climáticas e da auto-suficiência alimentar, o plano estratégico para a criação de uma rede com um sistema alargado de áreas de conservação, e o programa de combate á desertificação e à pobreza, recentemente aprovados pelo Executivo, constituem passos significativos para a consolidação da estabilidade política, económica, social e ambiental em Angola”, afirmou o Vice-Presidente da República na cimeira de Brazzaville.

Defendeu que a protecção das florestas tropicais carece de uma cooperação estreita entre os países membros das três bacias florestais tropicais do mundo, através de um diálogo permanente, para se assegurar, a nível nacional, regional e internacional, a preservação dos recursos. “É crucial que os nossos governos participem com determinação nos programas de preservação e mitigação dos impactos que motivam a degradação florestal”, frisou o Vice-Presidente da República, reiterarando o interesse de Angola em assinar a Declaração de Brazzaville.
Fernando da Piedade Dias dos Santos considerou que o documento vai revelar-se um instrumento importante para balizar a aposta dos Estados membros na preservação das florestas, que considera de “fonte de sobrevivência para o homem e para o nosso planeta”. A delegação angolana à Cimeira de Brazzaville foi integrada pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, e a ministra do Ambiente, Fátima Jardim, que participou, quinta-feira, na reunião ministerial.

Plataforma de concertação

Na abertura da cimeira, o presidente da República do Congo, Denis Sassou Nguesso, desejou que a Cimeira de Brazzaville permita colocar as bases de uma cooperação e solidariedade fortes, uma plataforma de concertação e troca de informações, de experiências e de tecnologias para que os países membros das três bacias florestais tropicais do mundo possam, no mais curto espaço de tempo, harmonizar os pontos de vista, acções, estratégias e políticas no domínio das florestas.
Sassou Nguesso admitiu que os países da Bacia do Congo, Amazónia e asiática de Borneo Mekon se confrontam com os mesmos problemas e desafios de conservação da biodiversidade, de degradação do ambiente, pobreza e desenvolvimento.
O Presidente congolês defendeu que a solução dos problemas passa pela união dos países. “Os esforços que a comunidade internacional exige de nós em matéria de gestão sustentável, passam pelos apoios financeiros e materiais, à luz do Plano de Acção de Bali (Indonésia).
Participaram na cimeira de Brazzaville os Chefes de Estado François Bozize, da República Centro Africana, Joseph Kabila (RDC), Teodoro Obiang Nguema (Guiné Equatorial), Fradique de Menezes (São Tomé e Príncipe) e Ali Bongo (Gabão). Outros países foram representados por vice-presidentes, primeiros-ministros ou membros do Governo.

Fonte: Jornal de Angola

DEIXE UMA RESPOSTA