Primeiro-ministro somalí anuncia demissão do cargo

O primeiro-ministro da Somália, Abdullahi Mohamed, anunciou no domingo, em Mogadíscio, a sua demissão, na sequência do acordo assinado em Kampala sobre o fim das instituições de transição no país, que ordenava o seu afastamento, noticiou ontem a AFP.
“Considerando o interesse da sociedade e em conformidade com o acordo de Kampala, decidi demitir-me para salvaguardar o interesse nacional”, declarou à imprensa.
O Presidente da Somália, Sharif Cheikh Ahmed, e o líder do Parlamento, Sharif Hassan Cheikh, assinaram a 9 de Junho, em Kampala (Uganda), um acordo para a prorrogação em 12 meses dos seus mandatos, incluindo a demissão do primeiro-ministro.
O acordo foi assinado com o aval da comunidade internacional, na presença do Presidente ugandês, Yoweiri Museveni, e do representante da ONU para a Somália, Augustine Mahiga.
O preâmbulo do acordo prevê a demissão do primeiro-ministro, a designação do seu substituto pelo Presidente Sharif, seguido de um voto do Parlamento nos 14 dias subsequentes, para avalizar a nomeação do novo chefe do governo.
Abdullahi Mohamed não foi signatário desse acordo e tinha publicamente recusado demitir-se. “Respeitarei a vontade do povo somali de pretender que continue em funções”, declarou em 14 de Junho.
O anúncio da demissão forçada de Mohamed provocou importantes manifestações em Mogadíscio e em várias outras cidades do país, na sua maioria espontâneas, trazendo à luz do dia a popularidade do primeiro-ministro, mais concretamente no seio de parte dos soldados, que tinham o seu salário pago regularmente durante o seu mandato.

“Agradeço a todos aqueles que manifestaram a sua solidariedade e digo-vos que anuncio a minha demissão para acabar com as divergências políticas dos dirigentes deste país”, declarou no domingo.
O acordo de Kampala prevê que a “eleição do Chefe de Estado e do Presidente do Parlamento tenham lugar antes de 20 de Agosto de 2010”.

Fonte: Jornal de Angola

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