Presidente do Parlamento de Moçambique quer promoção com base na competência

A presidente da Assembleia da República de Moçambique, Verónica Nataniel Macamo Dlhovo, defendeu ontem em Luanda que a promoção das mulheres para cargos públicos e de decisão deve ter como critério as competências e não o paternalismo ou o simples facto de ser mulher.
A deputada falava numa palestra que decorreu na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho, sobre as mulheres moçambicanas e a sua participação nos órgãos de decisão, no quadro da visita que efectua a Angola a convite do seu homólogo Paulo Kassoma.
Verónica Dlhovo disse que numa primeira fase, as quotas para as mulheres participarem é positiva porque impulsiona a sua participação na vida pública. Este critério a que chamou de “discriminação positiva” pode um dia terminar e as mulheres participarem em pé de igualdade com os homens na vida pública. A jurista salientou que os Estados devem aproveitar as capacidades dos homens e das mulheres para promoverem o desenvolvimento dos povos. A presidente da Assembleia da República de Moçambique disse que no seu país a mulher tem ocupado cargos de relevo na vida pública, graças a várias conquistas que a sociedade moçambicana foi conquistando ao longo dos tempos, com a eliminação de preconceitos e práticas culturais.
Moçambique já teve uma Primeira-Ministra, agora tem uma presidente da Assembleia da República, 100 deputadas, 11 governadoras, 33 administradoras distritais e municipais e várias outras que desempenham cargos de chefia a nível de instituições públicas.
Apesar da mulher exercer funções públicas ao mais alto nível, sublinhou, não deve esquecer a sua função de mãe. Verónica Dlhovo disse que não se deve confundir a emancipação com práticas que destroem a família. Disse ainda que as mulheres que exercem cargos de decisão, devem ajudar outras mulheres a saírem das amarras culturais e da dependência económica a que muitas são submetidas.
Defendeu que o desenvolvimento das sociedades deve começar de base e não do topo, pelo que é preciso apoiar as mulheres que não têm acesso à educação e à informação. Numa linguagem muito pedagógica, a presidente da As­sembleia da República de Moçambique transmitiu a sua experiência de mulher moçambicana às deputadas angolanas, militantes de partidos políticos, membros de igrejas e de Organizações Não Governamentais.
No encontro participaram também a vice-presidente da Assembleia Nacional, Joana Lina, a ministra da Família e Promoção da Mulher, Genoveva Lino, e mulheres que trabalham em departamentos ministeriais e professoras universitárias, com realce para a Professora Maria Carmo Medina, da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto.

Fonte: Jornal de Angola

DEIXE UMA RESPOSTA