Octávio Neto – Cozinhar para viver

Quando criança o seu maior sonho era ser craque de futebol. O desejo quase se realizou. Octávio jogou pela equipa de juvenis do Futebol Clube do Alverca, 1.º de Dezembro e do Olivais Sul, como júnior, na posição de médio direito, tudo isso em Portugal.

Aos 17 anos de idade e sob o conselho da sua professora do 9.º ano, inscreveu-se na escola de hotelaria do Estoril, Portugal, de forma a conciliar a formação académica com uma outra ocupação profissional. O que era uma simples ocupação tornou-se numa paixão e um meio de sustento.

“Comecei a frequentar o curso sem grande motivação, com o passar do tempo apaixonei-me. Trabalho em hotelaria há nove anos e actualmente vivo somente dela”, disse Octávio.

Chefe de Cozinha do restaurante Iate Clube, localizado no Hotel Praia Mar, na Ilha de Luanda, o cozinheiro conta no seu curriculo com passagens por alguns restaurantes de renome internacional com destaque para o Fortaleza do Guincho, uma cozinha de luxo franco-portuguesa.

“No ano em que eu entrei para o restaurante Fortaleza do Guincho, o restaurante ganhou uma estrela Michelin. Estas estrelas estão para a gastronomia como 
os Óscares para os 
filmes” disse.

O 14 de Fevereiro

A grande oportunidade surgiu num dia consagrado aos namorados. Numa sessão especial, organizada pelo restaurante Iate Clube, para comemorar a data.

“Devido a demanda, eles foram obrigados a recorrer a prestação de serviço. A direcção ligou-me e propôs um contrato para apoia-los no jantar dos namorados”, .

Antes, tinha sido consultor de cozinha, do refeitório da TvZimbo e ambicionava por maiores desafios. Decidiu enviar o seu currículum para algumas casas de restauração. “Era consultor e também trabalhava como chef de cozinha de uma guest house, para os hóspedes da BP. Na altura, já não havia muito para mim e decidi procurar por outros desafios”, disse.

A proposta do Iate Clube foi o realizar de uma oportunidade muito esperada, pelo que teria a possibilidade de mostrar as suas habilidades como cozinheiro. “Felizmente eles gostaram da minha prestação e contrataram-me para ser o chefe de cozinha do restaurante. Comecei a trabalhar algumas 
semana depois.”, disse.

Há quatro meses, no cargo de chef de cozinha do Iate Clube, Octávio é tido pelos seus superiores hierárquicos como um competente profissional.

“A chegada do Octávio veio dinamizar ainda mais o tipo de menu que sempre tivemos. Houve uma pequena alteração que tem sido muito bem sucedida. Os clientes estão muitos satisfeitos”, disse Nuno Silva, director para comidas e bebidas.

A formação profissional

O que começou como uma simples ocupação, tornou-se numa paixão. A formação em Cozinha de Primeira, aconteceu em 2002, na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, depois de de três anos de curso.

“Na altura, como estudante, precisava de trabalhar para juntar algum dinheiro. Durante a formação, em tempos de ferias éramos submetidos a constantes estágios em vários restaurantes”.

Residente em Portugal, na Linha de Sintra, local onde viveu durante 19 anos com os pais, Octávio trabalhou no hotel Fortaleza do Guincho, LA Café, numa fusão de cozinha italiana e portuguesa, foi subchef no restaurante Merci e Chef de cozinha no Cláudia Piloto, durante um verão.

Consultor de cozinha

O tão esperado regresso à pátria, aconteceu há três anos, a convite para fazer parte de um projecto de restauração.

“Na altura em Portugal, enviaram-me o projecto e o número de pessoas que poderiam frequentar o local. Coube a mim fazer o estudo e uma lista de necessidades em termos de materiais e recursos humanos”, disse.

Chegado a Angola, Octávio foi durante um ano, consultor para a cozinha do refeitório da Tv Zimbo.

Sobre o prato preferido apontou: polvo no forno com migas de broa.

“Acho que é uma combinação perfeita e muitos pensam que se trata do polvo à lagareiro. A técnica é a mesma mas sobre as migas à lagareiro, que combinam muito bem com frutos do mar”, disse

Questionado sobre os seus planos futuros, apontou a criação de um serviço próprio 
de restauração.

“Os meios ainda não são muitos, mas tão logo seja possível. Abrirei o meu próprio restaurante. Apostando na gastronomia molecular que tem a ver com a compreensão do que ocorre com os alimentos quando se cozinha”, disse, salientando que “a especialidade se dedica ao estudo dos processos químicos e físicos relacionados com a culinária e dá respostas para questões do dia-a-dia como qual a temperatura a que a carne deve ser exposta para ficar macia e suculenta, como conseguir um soufflé bem apurado ou umas volumosas claras em castelo”.

Sobre a culinária africana, considera-a ainda muito reservada aos nativos. “Os estrangeiros experimentam, mas têm preferência pelos seus próprios pratos. A cozinha angolana é rica pelos condimentos, mas muito limitada aos tachos.

Finalmente, a criação de uma associação de cozinheiros, foi um dos pontos apontados por Octávio, “Angola tem muitos bons cozinheiros. A culinária faz parte da cultura de um povo e levanta o país. Temos que investir nessa área.

Fonte: O País

DEIXE UMA RESPOSTA