Kadhafi ameaça Ocidente

O presidente da Líbia afirmou, ontem, em Tripoli, que não teme a morte e prometeu resistir até ao fim “à cruzada da Organização do Tratado do Atlântico Norte” contra o país da África do Norte.
Numa mensagem áudio divulgada pela televisão estatal, Muammar Kadhafi insistiu que vai resistir “à cruzada da OTAN contra o país muçulmano” e assegurou que as forças da aliança “vão ser vencidas e vão fazer marcha a trás”.
Muammar Kadhafi disse que os bombardeamentos aéreos “foram uma tentativa de assassinato da sua pessoa” e que as forças da OTAN, na tentativa de assassiná-lo matam cidadãos líbios: “matam civis indiscriminadamente e afirmam atacar alvos militares. Até o próprio diabo se envergonhava de mentir assim”, frisou.
O Presidente líbio denunciou que os recentes ataques da OTAN mataram 19 civis. O comando da OTAN reconheceu ter lançado uma operação em Surman, mas alegou que foi dirigida contra um centro de operações.
O dirigente líbio pediu às Nações Unidas o envio de uma comissão para investigar se a zona atacada era realmente um alvo militar e alertou a OTAN: “um dia a situação pode inverter-se e então as vossas casas e os vossos filhos vão tornar-se alvos legítimos para nós”, referiu, acrescentando que “a batalha contra a cruzada do Ocidente vai continuar até ao fim do mundo”.
Sinais de discórdia surgiram dentro da OTAN sobre os ataques aéreos na Líbia, com a Itália que defende o cessar-fogo e uma negociação política, proposta rejeitada pela França e Reino Unido.
“A necessidade de tentar um cessar-fogo tornou-se mais premente”, disse ao Parlamento da Itália o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Franco Frattini. “Acredito que, assim como o cessar-fogo, que é o primeiro estágio em direcção a uma negociação política, uma paralisação das acções militares é fundamental para permitir a imediata assistência humanitária”.

O porta-voz da diplomacia francesa, Bernard Valero, reagiu duramente às declarações de Frattini, que reflectem a ansiedade italiana em relação à operação da OTAN.
“A coligação estava em completo acordo há duas semanas na reunião do grupo de contacto em Abu Dhabi. Nós temos de intensificar a pressão sobre Kadhafi. Qualquer pausa nas acções pode permitir que ele ganhe tempo e se reorganize”, disse Valero à imprensa.
O Primeiro-Ministro britânico, David Cameron, tem a mesma opinião da França: “a acção correcta de momento é aumentar a pressão sobre Kadhafi”. O secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, também rejeitou a interrupção da agressão à Líbia. Em Roma, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros minimizou as declarações de Frattini, dizendo que essa não era uma proposta específica italiana.
“Não há nenhuma proposta italiana específica sobre isso. O que o ministro Frattini disse no Parlamento é que a Itália está interessada em estudar todas as ideias que possam aliviar o sofrimento dos civis”, disse o porta-voz.
O cessar-fogo, uma ideia que a Organização das Nações Unidas tem lançado sem sucesso há algum tempo, podia aplicar-se a Misrata, sob controlo dos rebeldes, e à região das montanhas ocidentais. O presidente da Comissão da União Africana (UA) disse em Addis Abeba que o Ocidente mais cedo ou mais tarde vai ter que aceitar um plano de cessar-fogo e sublinhou que os bombardeamentos aéreos não estão a surtir efeitos.
“A campanha de bombardeamentos era algo que eles achavam que levava 15 dias”, disse Jean Ping. “O impasse já está aí. Não há outra forma a não ser aceitar o plano da UA. Eles vão aprová-lo”.
A Organização da Conferência Islâmica, um grupo de 57 países muçulmanos com sede na Arábia Saudita, também disse ter enviado uma delegação à Líbia na quarta-feira para mediar as negociações. A delegação prevê manter encontros com os rebeldes em Benghazi e com responsáveis governamentais em Tripoli, segundo um comunicado da referida organização.

Fonte: Jornal de Angola

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