Juros altos afugentam agricultores

Os agricultores de nível médio na Quibala atravessam enormes dificuldades de acesso ao crédito nos bancos comerciais que operam no município devido aos juros altos praticados por estes e o curto tempo de reembolso.
Muitos agricultores não conseguem materializar os seus projectos com receio de se endividarem e responderem em processos judiciais se não honrarem os seus compromissos com os bancos.
Mas há agricultores que, contra todas as adversidades apostaram e, apesar de necessitarem de apoios, estão a progredir, como Alberto Martins, da fazenda “Mena”, localizada a 22 quilómetros da sede do município da Quibala. Ao JA referiu que é um dos mais afectados pela situação que “está a criar muitos embaraços e ao mesmo tempo a sacrificar os que desejam enveredar pela agricultura empresarial”.
Com oito trabalhadores, Alberto Martins tenta ultrapassar as barreiras e concretizar o seu sonho. Começou a agricultura em 2005 e agora dispõe de uma extensão de 600 hectares, dos quais 35 já trabalhados. Desenvolve a actividade com fundos próprios e teme solicitar crédito aos bancos devido aos altos juros e o apertado período de reembolso.
“Em qualquer parte do mundo os bancos têm a função de conceder créditos para ajudar as pessoas com iniciativas empresariais, mas a nossa realidade é completamente diferente, pois apesar dos juros altos, os bancos dão prazos curtos para reembolso e incompatíveis com a actividade agrícola”, disse.
Alberto Martins continua encorajado e na campanha agrícola passada colheu 850 toneladas de produtos diversos, número que pretende duplicar no próximo ano.
Plantou 3500 pés de limoeiros e laranjeiras, outros tantos de abacateiros, três mil de bananal e culturas de cereais e hortícolas. O agricultor está particularmente preocupado com a falta de dois tractores e respectivas alfaias para desbravar mais hectares e de uma viatura para ajudar no escoamento dos produtos e com o alto preço dos fertilizantes que, disse, “levanta dificuldades para colocarmos nos mercados de maior consumo, como Luanda, produtos de elevada qualidade.

Outra inquietação que apoquenta os agricultores locais é a ausência de indústrias transformadoras na região para absorver os produtos de consumo imediato, como tomate e frutas que, em muitos casos, se deterioram.Alberto Martins diz que a revitalização do comércio rural constitui a “tábua de salvação dos produtores”.
“O aumento da produção pelos agricultores tem de ser acompanhado com políticas do Executivo de criação de mecanismos que sustentem a produção. Ora, o que assistimos é que produzimos com grandes custos e quando se chega ao mercado somos obrigados a baixar os preços, pois a concorrência a isso nos obriga”, palavras de Alberto Martins, para quem a degradação das vias secundárias e terciárias condiciona a evacuação dos produtos do campo para os mercados de consumo.

Custos com lavouras

Quanto à lavoura, a Agricultura reconhece que o parque da Mecanagro na região deixou de responder à demanda no município da Quibala e, por isso, está a ponderar o estabelecimento de parcerias com empresas nacionais ou estrangeiras. “As parcerias são um meio para encontrar sinergias que favoreçam o desenvolvimento agro-industrial e comercial”, disse Alberto Martins.

Criação de gado bovino

Fruto de abundantes pastos, a fazenda “Mena” tem condições propícias para a criação de gado bovino e de outras espécies. Alberto Martins iniciou com 18 cabeças de gado bovino e hoje conta com setenta. “Tenho muitos motivos para persistir na criação de gado”, revela, completando: o sector privado é parceiro do Executivo na oferta de bens e serviços e criação de empregos.

Fonte: Jornal de Angola

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