Gonorreia nas grávidas pode cegar os bebés

Caso uma mulher grávida tenha gonorreia e não for diagnosticada e tratada rapidamente, ela pode passar a infecção ao bebé durante parto e provocar-lhe cegueira. A chefe de departamento de saúde reprodutiva da Direcção Nacional de Saúde Pública, Maria Inês, em declarações ao Jornal de Angola, disse que a gonorreia também pode causar ao recem-nascido infecção nas articulações e no sangue que requerem tratamento para o resto da vida.
“Estes riscos e complicações podem ser reduzidos, caso o tratamento da gonorréia seja feito antes do parto.Por esta razão, as grávidas devem consultar regularmente um médico para fazer exames apropriados, testes e os tratamentos caso necessários”, acentou Maria Inês.
A chefe de departamento de saúde reprodutiva da Direcção Nacional de Saúde Pública, sublinhou que a gonorreia é uma doença de transmissão sexual e as suas principais vias de contágio são o sexo vaginal, oral e anal.
Maria Inês acrescentou que os primeiros sintomas da gonorreia sãos o corrimento mal cheiroso, prurido vaginal e no pénis. Acrescentou que se a gonorreia não for tratada pode causar sérios e permanentes problemas de saúde, nos homens e nas mulheres.
A chefe de departamento de saúde reprodutiva da Direcção Nacional de Saúde Pública explicou que nas mulheres a gonorréia é uma das causas comuns de doença inflamatória pélvica, que pode causar infertilidade.
Nos homens ,a médica disse que, a gonorréia caso não seja devidamente tratada, pode causar dores nos testículos e ocasionar a infertilidade masculina.

Outras doenças sexuais

Maria Inês informa que além da gonorreia e da SIDA, existem outras doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis, o herpes genital ou a hepatite B e que em Angola atingem pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 45 anos.
“Embora a Direcção Nacional de Saúde Pública não tenha os dados dividos por sexos, normalmente as doenças sexualmente transmissíveis tendem a tomar um carácter feminino porque são as mulheres que mais sofrem quando descobrem que estão infectadas, e as que mais facilmente procuram um médico”, disse.
A especialista em saúde pública sublinhou que de todas as doenças sexualmente transmissíveis registadas durante o ano passado, 11 por cento foram detectadas em mulheres grávidas. Daí, a necessidade de notificar infecções de transmissão sexual em recém-nascidos nos últimos tempos.
Maria Inês diz que a pessoa pode ter bons hábitos de higiene, mas se tiver relações sexuais sem as devidas precauções com alguém infectado, também acaba por contrair a doença, porque nestes casos é o vírus ou a bactéria que funcionam e não os hábitos higiénicos.

Transmissão da sífilis

A médica sublinhou que, depois do HIV/SIDA, a sífilis é a doença que mais se propaga no país. E tem como primeiro sintomas o aparecimento de úlcera nos órgãos sexuais e manchas no corpo depois de duas a oito semanas de incubação da infecção sexual.
Maria Inês explicou que a sífilis também é uma doença que se transmite de mãe para filho, por via da placenta durante o serviço de parto. E, para evitar que mais casos apareçam, todas as grávidas, à medida que forem realizando as suas consultas pré-natais, devem também fazer o exame que detecta a sífilis.
Segundo a especialista, este exame permite detectar a doença e fazer o tratamento e o devido controlo durante o período de gravidez e evitar que o bebé contraia a doença durante o parto.
Maria Inês informou que, para reduzir o número de casos de doenças sexualmente transmissíveis, a sua instituição tem como estratégia informar cada vez mais a população sobre os moldes de transmissão e a irem desde muito cedo aos hospitais sempre que notarem um funcionamento estranho do organismo.
Também consta das estratégias da Direcção Nacional de Saúde Pública a realização de mais palestras e reactivar o Programa de Saúde Escolar para informar aos jovens sobre o que podem fazer para evitarem o contágio das doenças sexualmente transmissíveis

Cunene com mais Sida

O chefe de departamento de vigilância epidemiológica e informação do Instituto Nacional de Luta Contra o Sida, Marques José Gomes, disse ao Jornal de Angola que as provinciais que mais casos de SIDA apresentam são as fronteiriças pelo facto de circularem ali diariamente milhares de pessoas.
Marques José Gomes, que também é médico epidemiologista, informou que a província do Cunene suplanta a lista das mais infectadas com 4,4 por cento, seguida de Benguela também com 4,4 porcento, as Lundas com 3,9 por cento.
O médico epidemiologista realçou que o mau comportamento sexual das pessoas, e principalmente dos jovens é uma das grandes causas de propagação da Sida. Por este motivo, a faixa etária mais afectada pelo vírus varia entre os 20 os 40 anos entre homens e mulheres.

Estratégia do Instituto

O médico epidemiologista explicou que o Instituto Nacional de Luta Contra a Sida tem como estratégia para inverter o actual quadro, a continuação do tratamento das pessoas infectadas, a prevenção das pessoas que não têm o vírus, evitando que ocorram novas casos de Sida, “Também consta das estratégias do instituto a criação de novas unidades de acompanhamento de pacientes, o corte de transmissão vertical, o tratamento e acompanhamento das crianças infectada”, acrescentou o especialista.
Segundo Marque Gomes, faz parte das prioridades do Instituto Nacional de Luta Contra a Sida continuar a investir cada vez mais na prevenção, porque permite que o número de infecções diminua no país.
O médico disse ainda que a hepatite B também é uma doença de transmissão sexual, e alguns sintomas podem confundir-se com a Sida. Por isso, geralmente é feito um diagnóstico diferencial para saber de que doença de facto se trata., e tal como a Sida, a hepatite B não tem cura. “E um dos primeiros sintomas da Hepatite B é a mudança da mucosa ocular, os olhos ficam amarelados”.
O médico epidemiologista disse que o Estado subvenciona todo o tratamento dos infectados por doenças sexualmente transmissíveis, por isso as unidades hospitalares devem ter estes medicamentos para darem às pessoas infectadas sempre que precisarem.

Fonte: Jornal de Angola

DEIXE UMA RESPOSTA