Gabela tenta recuperar a prosperidade de outrora

As autoridades administrativas do município do Amboim, na província do Kwanza-Sul, estão cada vez mais empenhadas na recuperação da cidade da Gabela para devolver a imagem que a localidade ostentou, no passado.
O administrador municipal adjunto, António Carvalho, que prestou ontem a informação, salientou que a Gabela, elevada à categoria de cidade a 28 de Setembro de 1907, detém uma estrutura arquitectónica invejável, com infra-estruturas sociais e habitacionais, que lhe permitiram albergar algumas direcções provinciais, na década de 80, como as do Comércio, Finanças e Transportes, além de ter o privilégio de ali ser instalada a central de transformação de energia eléctrica, a partir da barragem de Cambambe.
De acordo com o responsável, o conflito armado inviabilizou o desenvolvimento da cidade e seus arredores, causando a paralisação das indústrias de plástico, descasque de café, fábricas de refrigerantes, entre outras unidades fabris, que lançaram aquela parcela do Kwanza-Sul para altos patamares de desenvolvimento.
Em consequência disso, a insegurança tomou conta dos detentores de empresas e investidores, que optaram por outras localidades para estabelecer os seus negócios, principalmente para as cidades do Sumbe e Luanda.
António Carvalho salienta que a destruição, durante o conflito armado, da linha de alta tensão, a partir da barragem de Cambambe, em 1983, foi um dos golpes mais duros infligidos ao desenvolvimento da antiga cidade do bago vermelho, como era conhecida a Gabela.
As florestas, que circundavam a cidade, viriam a ser derrubadas para fins de construção de casas pelos habitantes que se refugiavam nos municípios limítrofes, como Quilenda, Ebo, Conda e Quibala. Era o começo da degradação extensiva do manto florestal e de zonas de lazer.
Com o fim do conflito armado, a cidade foi invadida por uma onda de construções anárquicas, situação que provocou a deterioração das redes de saneamento.

Para inverter este quadro, as autoridades administrativas do município gizaram um vasto programa de acções que compreendem a urbanização, reabilitação de infra-estruturas sociais e habitacionais, saneamento, reparação dos sistemas de captação e distribuição de água potável, melhoria da energia eléctrica e das estradas terciárias.

Milhões de kwanzas empregues

A reabilitação do centro de captação e tratamento de água potável, recuperação e ampliação das escolas primária “Augusto Ngangula” e do primeiro ciclo do ensino secundário “Heróis do Cuito Cuanavale”, na sede municipal, custaram um investimento de 68,2 milhões de kwanzas. Com o mesmo montante, a administração está a reabilitar o jardim, o centro de estomatologia do Hospital Municipal do Amboim e a aquisição de equipamentos.
O administrador municipal adjunto do Amboim garantiu que para devolver a antiga imagem à cidade são necessários grandes esforços que se consubstanciam na disponibilidade financeira, a par de um trabalho abnegado.
A administração pretende dar continuidade às acções de reabilitação de infra-estruturas económicas e sociais, e promover a construção de habitações sociais, com enfoque para as casas da juventude.

Dois importantes sectores com diversos problemas

Os sectores da Saúde e da Educação vivem ainda grandes problemas, como a falta de técnicos, de unidades sanitárias e escolas para suportar a procura.
A rede sanitária compreende dois hospitais municipais, sendo um na sede e outro na localidade da Boa Entrada, seis centros e 11 postos de saúde, além de cinco postos móveis do Programa Alargado de Vacinação. O corpo clínico é constituído por 13 médicos, dos quais apenas dois são angolanos, e 175 enfermeiros.
Quanto ao sector da Educação, este compreende uma rede de 25 escolas de carácter definitivo e 24 de construção precária. Por falta de espaços e de professores estão fora do sistema do ensino 6.258 crianças.
Para o presente ano lectivo, foram matriculados um total de 381.744 alunos da iniciação à 12ª classe, numa altura em que as aulas são asseguradas por 1.123 professores.
O município do Amboim, que é potencialmente agrícola, possui solos férteis para o cultivo de milho, feijão, ginguba, batatas rena e doce, banana, apresentando um clima que favorece a cultura do café, que foi a relíquia da região.
Das 170 associações de camponesas criadas no município,segundo o administrador,apenas 135 estão em funcionamento, existindo ainda 22 cooperativas e 341 empresas agrícolas, que se têm debatido com falta de apoios em sementes, fertilizantes e pesticidas.
O município do Amboim, saliente-se, tem uma superfície de 1.027 quilómetros quadrados e uma população estimada em 208.089 habitantes. A referida localidade é dividida por duas comunas, sendo a sede Assango, com três áreas administrativas: Salinas, Honga e Boa Entrada.

Fonte: Jornal de Angola

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