Estela Bravo homenageada no “Cine Ceará”

A realizadora norte-americana Estela Bravo foi homenageada, na quarta-feira, em Fortaleza, na cerimónia de encerramento da 21ª edição do Festival de Cinema Ibero-Americano “Cine Ceará”.
O festival, que começou no dia 8 e encerrou na quarta-feira, teve duas “Mostra Homenagem”, uma dedicada ao brasileiro Eduardo Coutinho e outra, a Estela Bravo.
“A homenagem foi bonita, conheço o Brasil, desde 1954, mas desconhecia a existência de Fortaleza e deste festival”, disse, ao Jornal de Angola, a realizadora que viveu em Cuba mais de 50 anos.
O filme “Fidel: La Historia no Contada”, que abriu a Mostra Homenagem a Estela Bravo, já foi exibido, em 2007, em Luanda, pela embaixada de Cuba, numa iniciativa que teve colaboração da Associação N’Gola-Africartes.
Além deste filme, apresentado no Espaço Unibanco 2, do Centro Dragão do Mar, também foram exibidos “Operação Peter Pan: Fechando o Círculo em Cuba”, “Anedotas de Fidel”, “Quem Sou Eu? As Crianças Encontradas da Argentina” e “Cuba-África do Sul: Depois da Batalha”, que espelha a batalha do Cuito Cuanavale, a retirada das tropas cubanas de Angola e os acordos entre Cuba, Angola e África do Sul, que resultou na independência da Namíbia. “Cuba-África do Sul: Depois da Batalha”, realizado em 1990 e que inclui imagens de arquivo em 16mm, disse a realizadora ao Jornal de Angola, narra a luta entre dois Exércitos numa terra estranha, Angola.
“Fiz este filme porque quis transmitir uma mensagem”, salientou, revelando que quando esteve em Angola a filmar se sentiu emocionada ao reencontrar o general NDalu, que conheceu em Cuba como estudante.
Vê-lo à frente do Exército angolano, após alguns anos, deixou-me muito emocionada, disse a realizadora que, no filme, entrevista também o comandante sul-africano. “Disse-me que tinha ganho a batalha do Cuito Cuanavale, mas o filme mostra que é mentira”, declarou.

Papel dos festivais

A realizadora norte-americana sublinhou que “nem todos os festivais são bons para tornar os filmes conhecidos do público. Estela Bravo confessou não ter grande experiência de festivais, mas que vai participar no de Los Ângeles. A realizadora declarou ser bastante conhecida em Cuba devido à passagem dos seus filmes na televisão e por os cubanos terem o hábito de frequentarem salas de cinema de cinema.
Um dos curadores da Mostra Homenagem, Enrique Hernández Pascoal, cubano que trabalha no Cine Ceará há nove anos, três dos quais dedicados às mostras paralelas, disse, ao Jornal de Angola, que os filmes de Estela Bravo “são convencionais, com vínculo estreito a determinados fenómenos humanos e históricos de impacto social muito grande”.
Os filmes, referiu, são os mais representativos da sua obra, que mostra as injustiças na Argentina, Cuba, Chile, Angola, Namíbia e África do Sul.
Sobre Eduardo Coutinho disse ser um dos realizadores mais importantes do Brasil, que a sua obra é sólida e que alguns dos seus filmes são clássicos do documentário brasileiro, como “Edifício Master-Um filme Sobre Pessoas Como Você e Eu” e “Cabra Marcada para morrer”.
Este último, que levou mais de vinte anos a ser feito, narra a vida de um líder camponês assassinado.

Fonte: Jornal de Angola

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