Estatísticas imprecisas sobre emprego podem desvirtuar política orçamental

Director do CEIC, Alves da Rocha
Director do CEIC, Alves da Rocha

Luanda – O economista Alves da Rocha manifestou-se, hoje (quinta-feira), preocupado com a falta de estatística actualizada sobre o emprego em Angola, uma variável macroeconómica determinante para o esboço de qualquer política, quer seja orçamental, de rendimento, preços e apoio ao desenvolvimento.

 

Em declarações à Angop, em Luanda, à propósito do lançamento do Relatório Económico Angola 2010, Alves da Rocha, que falava na qualidade de director do Centro de Estudo e Investigação da Universidade Católica, sublinhou que a ausência de dados estatísticos actualizados faz com que “não saibamos quantos empregados somos”.

E em consequência disso, afirmou o investigador em questões económicas, o país tem dificuldades em prestar dados, com alguma exactidão, sobre quantos subempregados tem e, por diferença, quantos desempregados há internamente.

“Sem se ter dados sobre o emprego, naturalmente, que aquilo que se interpreta e desenha como proposta para abordar a realidade de emprego no país são meras reflexões intelectuais. Porque atrás do emprego vem a produtividade”, afirmou.

Referindo-se a orientação para a diversificação da economia angolana, o académico disse ser um processo longo em que as políticas deverão ser bem focalizadas, mas tem que haver investimento. Não se pode fazer diversificação sem investimento e sem pensar na abertura da economia.

Numa breve análise à diversificação da economia angolana, o docente entende não haver, internamente, mercado para suportar um processo de diversificação económica. Justificou esse entendimento recorrendo a dados do Inquérito sobre o Bem-Estar da População (IBEP) 2008/2009.

Segundo os dados do IBEP, a despesa per capita neste período ficou abaixo dos 100 dólares norte-americanos. “Este dado informa-nos que não há dimensão de mercado interno para suportar um processo de diversificação fechado”.

Segundo afirmou, “se o país quer diversificar a economia terá que naturalmente se abrir. É uma discussão que temos. Sabemos que há opiniões no sentido de que primeiro temos que ganhar “músculos” para que depois possamos abrir. Existem outras opiniões que dizem que a competitividade se adquire competindo”.

Na óptica do director do Centro de Estudo e Investigação da Universidade Católica de Angola, não se pode querer competir na SADC ou em outros mercados, com os preços altos praticados no país. “São preços derivados. Creio que a política monetária se não atingiu o limite está próximo, isto enquanto instrumento de controlo da inflação”.

Disse estar de acordo que a política monetária tem sido bem pensada e executada, mas “quando estabelecemos correlações estatísticas entre os agregados monetários e a taxa de inflação, a conclusão é evidente. Há outros factores que explicam a inflação em Angola”.

Para o académico, esses factores têm a ver, por exemplo, com as infra-estruturas. “Não podemos ter um controlo de preços e uma economia mais competitiva quando ainda a actividade económica funciona muito na base dos geradores por ai os custos económicos são elevados”, observou.

 

 

 

Fonte: Angop

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