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Escassez de peixe no mar de Cabinda
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Escassez de peixe no mar de Cabinda

Os baixos índices de captura de pescado em Cabinda não são apenas consequência dos derrames de petróleo, mas também das alterações climáticas e das limitações impostas à pesca por empresas petrolíferas, próximo das plataformas, áreas de concentração e de reprodução de várias espécies marinhas.
A afirmação é do chefe do departamento das pescas em Cabinda, Rafael Brás, para quem as alterações climáticas resultantes do efeito de estufa não só provocam o aquecimento da Terra, como também das águas do mar, levando à migração de muitos peixes para as zonas mais frias.
“São vários os factores que concorrem para a escassez de peixe no mar de Cabinda e de Lândana em particular”, disse Rafael Brás ao Jornal de Angola. Assinalou que as alegações dos pescadores da vila de Lândana de que os baixos níveis de captura de pescado resultam dos derrames de petróleo que poluem as águas do mar, “não podem ser as únicas causas”.
Como exemplo referiu a pesca denominada “banda-banda” ou de arrasto como outro factor susceptível de provocar a escassez de peixe no mar.
“Os pescadores das zonas de Yabi, Lubendo, Simulambuco e Futila são os que mais praticam este tipo de pesca e nós temos estado a desencorajá-los com acções de sensibilização”, acrescentou Rafael Brás, cujo departamento controla três mil pescadores nos municípios de Cabinda e Cacongo.
Rafael Braz clarificou que, para inverter o quadro actual, o seu departamento propôs ao governo provincial a criação de projectos de conversão de artes de pesca por outras mais benéficas como, por exemplo, a oferta de malhas de maior dimensão para permitir a captura de peixe grosso.
Um projecto denominado “Tuende Tuavuba” patrocinado pela Chevron e parceiros do bloco 0, está a ser implementado em Cabinda desde Junho de 2010, para ajudar os pescadores locais nos procedimentos para a criação de pequenas cooperativas pesqueiras e criação de condições para desenvolver a sua actividade, revelou Rafael Brás. O projecto consiste na instalação de uma bomba de combustível na qual os pescadores filiados em várias associações deverão ser abastecidos a preços subvencionados, criação de um pequeno centro de formação profissional e distribuição gratuita de artefactos de pesca. “Com a implementação do projecto “Tuende Tuavuba”, que tem o envolvimento da ONG Visão Mundial e Instituto da pesca artesanal, os pescadores de Cabinda e de Lândana verão minimizadas parte das dificuldades com que se deparam”, prevê Rafael Brás.

O departamento de pescas já reuniu com os representantes de todas as comunidades pesqueiras de Lândana (Cacongo) e de Cabinda, incluindo algumas peixeiras, para ver a viabilidade do “Tuende Tuavuba”. A província conta com mais dois centros de apoio aos pescadores locais, financiados pelo Banco Africano de Desenvolvimento. Por outro lado, Rafael Brás denunciou as violações frequentes das águas marítimas angolanas por parte de embarcações pesqueiras oriundas da República do Congo Brazzaville, sobretudo a partir da zona norte (Cacongo), exemplificando com a recente apreensão pelas autoridades angolanas de uma embarcação pesqueira congolesa pertencente a uma empresa chinesa.
“A fronteira do Norte, localizada no município de Cacongo, é a mais violada pelas embarcações estrangeiras provenientes de Ponta Negra/República do Congo Brazzaville”, acentuou, sublinhando que a apreensão das embarcações que violam os limites das águas marítimas angolanas tem sido possível, fruto da operatividade do grupo de patrulha composto por elementos da Polícia Fiscal, Capitania do Porto de Cabinda e Marinha de Guerra.

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