E tudo começou com uma 
janela aberta…

No exíguo escritório de Manuel Gomes da Silva, no coração do carismático Bairro Popular, em Luanda, amontoam-se as caixas de garrafas e os posters alusivos aos produtos que comercializa: vinhos, cervejas e bebidas espirituosas. Enquanto o empreendedor contava dinheiro e o dava à sua irmã, Rosa Silva (licenciada em Gestão e que hoje o apoia na direcção dos estabelecimentos), para pagar os seguros da frota automóvel, sucediam-se os telefonemas e os problemas — tal como um inesperado corte de energia eléctrica a que se seguiu uma falsa partida do gerador. Felizmente Manuel Gomes da Silva, mais conhecido por Nelo, é electrotécnico, carreira que (com pena) não chegou a exercer, pelo que a avaria é rapidamente solucionada. Embora não goste muito de aparecer, e muito menos de dar entrevistas, o empreendedor decide colocar o telefone no silêncio de modo a poder contar-nos o seu caso. “É uma história longa”, adverte. “Espero que tenha páginas suficientes na revista”, remata com humor.

Manuel Gomes da Silva nasceu no Uíge. O pai era bakongo e fez carreira na polícia. A mãe, de origem cabo-verdiana, era comerciante, de quem diz ter herdado a vocação. O empresário, hoje com 40 anos e pai de oito filhos, veio para a capital ainda pequeno. Começou por morar no Palanca e depois mudou para o Bairro Popular onde assentou. As dificuldades financeiras (“tinha de pagar os estudos e nem sequer tinha dinheiro para o autocarro”, recorda) aguçaram-lhe o engenho. Resolveu começar a vender cerveja fresca no quintal da sua casa. O segredo sempre foi (e ainda é) o de praticar preços baixos e margens de lucro igualmente baixas. “Lembro-me de investir todo o meu dinheiro na compra de seis caixas de Cuca que transportava com o meu carrinho de mão. As outras lojas vendiam cada unidade a 50 kwanzas. Eu vendia três por 100 kwanzas. Os clientes até desconfiavam se o produto não seria falsificado. A verdade é que a “moda” pegou. No dia seguinte, peguei no dinheiro, comprei mais 11 caixas e vendi tudo no mesmo dia. E assim foi crescendo o meu pequeno negócio”, conta.

Fonte: exame angola

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