Crescimento da economia mundial

O desemprego ainda é um legado da crise e não se vislumbram soluções que não passem por melhoramentos da legislação dos países
O desemprego ainda é um legado da crise e não se vislumbram soluções que não passem por melhoramentos da legislação dos países

A economia mundial deve crescer 4,2 por cento este ano e 4,6 por cento em 2012, calcula a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), considerando que a recuperação está num caminho sólido mas ainda há diferentes velocidades.
De acordo com a mais recente versão do “Economic Outlook” da organização, o desemprego com níveis excepcionalmente elevados continua como o legado mais premente da crise e deve levar os países a melhorar a sua legislação laboral e as medidas dirigidas ao mercado de trabalho de forma a evitar que o elevado desemprego de hoje se torne permanente.
Para a média das três dezenas de países que fazem parte da organização, o crescimento deve rondar os 2,3 por cento este ano, acelerando para os 2,8 por cento em 2012.
A Zona Euro deve, segundo as estimativas da OCDE, crescer a um ritmo de dois por cento ao ano em 2011 e 2012, a economia norte-americana cerca de 2,6 por cento este ano, acelerando para 3,1 por cento em 2012, enquanto no Japão, devido às consequências do violento desastre natural que sofreu há alguns meses, a economia deve retrair em 0,9 por cento este ano, mas a OCDE estima que volte a crescer já em 2012, em 2,2 por cento.
A retoma económica começa a ser auto-sustentável, escreve a organização, indicando que gradualmente o comércio e o investimento estão a substituir os estímulos orçamentais e monetários (postos em prática devido à intensa crise financeira e económica mundial) como principais motores de crescimento.
No entanto, a possibilidade de mais aumentos nos preços do petróleo e outras matérias-primas, uma desaceleração maior que a esperada na economia chinesa, a situação orçamental dos EUA e do Japão, e as renovadas dificuldades dos mercados imobiliários em alguns países da OCDE permanecem como riscos para a retoma económica. “Este é um período delicado para a economia global, e a crise não está terminada até as nossas economias começarem a criar empregos de novo”, diz o secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, num comunicado que acompanha a divulgação do relatório.
A organização considera ainda urgente que os países envidem esforços para alcançarem as suas metas de consolidação orçamental, que considera serem “cada vez mais urgentes”, apontando o rácio de dívida pública face ao Produto Interno Bruto (PIB) como um dos pontos principais a focar.

 

Neste aspecto, a OCDE lembra que este ano a dívida pública deve atingir uma média de 96 por cento na Zona Euro e passar mesmo os 100 por cento do PIB na média dos países que fazem parte da organização, ou seja, 30 pontos percentuais acima dos níveis que registavam antes da crise.
“Altos níveis de dívida pública, que como tem sido demonstrado têm um impacto negativo no crescimento, têm de ser estabilizados e reduzidos assim que possível, especialmente se considerarmos o provável impacto do envelhecimento da população nas próximas décadas”, diz ainda Angel Gurria, no mesmo documento.

 

 

Fonte: Jornal de Angola

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