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Artesãos da madeira baixam preços em Luanda
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Artesãos da madeira baixam preços em Luanda

Os habilidosos e criativos Nzau e João vivem da arte de trabalhar madeira à mão, há 30 anos. Eles nasceram na província do Zaire e começaram a ter as primeiras aulas quando tinham 15 anos. Hoje, de tanto traquejo adquirido pelo tempo na profissão conseguem transformar qualquer pau em excelentes obras de artesanato.
A criatividade e a delicadeza estão em primeiro lugar, dizem Nzau e João. O “mais velho” Nzau estava a polir uma peça de artesanato feita de pau-preto, que representa uma mãe a amamentar o filho. Disse à reportagem do Jornal de Angola que levou dois dias a fazer a peça.
“Minha filha! Nós como artesãos quase não ganhamos nada. Apenas trabalhamos para sobreviver. Porque uma peça em pau-preto, pau-ouro ou madeira ntsaia, que apenas existe na floresta do Mayombe, vendo a dez mil kwanzas ou até menos, quando na verdade pelo trabalho que nos dá, devia custar de 60 mil para cima” explicou o velho artesão, que já está acostumado a reduzir o preço das suas obras, porque não tem outro ganha pão.
Para fazer uma palanca negra gigante, um pensador ou a Mwna Pwo com dois metros de altura, o avô Nzau precisa de cinco dias a uma semana para terminar a obra com perfeição.
“Nós fazemos bem todas as obras. Mas estas três necessitam de mais delicadeza porque são esculturas e símbolos da cultura angolana, por isso precisamos de mais tempo”, explicou o habilidoso artesão, que na ocasião executava uma peça da palanca negra gigante.
Para o artesão João, 59 anos, que se inspira no silêncio das noites para trabalhar a madeira, contou à reportagem do Jornal de Angola que, a venda das obras varia de acordo com os dias e o bolso do cliente.
Sobre o andamento da economia mundial, o artesão está consciente de que a crise financeira que assolou o mundo em 2008, também, afectou muito as carteiras dos amantes da arte.

“Antes vendíamos bem para os angolanos e estrangeiros. Hoje, devido à crise económica mundial, os clientes desapareceram. Às vezes ficamos aqui na Ilha de Luanda toda a semana e ninguém aparece para comprar uma peça”, referiu.
O artesão João explicou que quando um cliente aparece, uma peça que vale 50 mil kwanzas pode ser vendida por apenas 15 mil porque “a nossa arte não tem preço, depende muito do comprador. O cliente vem e nós discutimos o preço da obra, e muitas vezes, para a peça não ficar sempre exposta na bancada somos obrigados a vender mesmo que a oferta do cliente seja muito baixa”.
A madeira que o artesão João utiliza nas suas peças vem da região Norte, mais propriamente das províncias de Cabinda e Zaire como é o caso da madeira ntsai, pau cinza, pau-ouro, pau-preto e o pau-rosa.
O artesão João contou à nossa reportagem que muitas vezes tem de se deslocar às províncias, para conseguir a madeira a baixo custo, porque se for a comprar aos revendedores fica muito caro.

Fonte: Jornal de Angola

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