Angola no 
topo do mundo

Angola apresentará um dos maiores crescimentos mundiais em 2012 (10,5%), sendo apenas superada pelas economias do Níger (15,4%) e do Iraque (12,6%) de acordo com o World Economic Outlook, do Fundo Monetário Internacional (FMI). Deste modo, Angola crescerá para valores muito acima da média estimada para a economia mundial em 2012 (4,5%). O FMI reviu em alta as estimativas para a evolução da economia nacional em relação às suas previsões de Outubro de 2010. Assim, a taxa de crescimento para o PIB em 2011 passa de 7% para 7,8% e, no que respeita a 2012, a previsão de crescimento de 6,3% formulada em Outubro é elevada agora para 10,5%. O crescimento estimado para este ano (7,8%) representa também uma recuperação significativa em relação aos 1,6% de crescimento do PIB registados em 2010. Recorde-se que a previsão do FMI é ligeiramente mais positiva do que os números avançados pelo ministro da Economia, Abraão Gourgel, que projecta um crescimento global da economia nacional de 7%, dos quais 2,5% para o sector petrolífero e o restante para os demais sectores da economia.

O ministro acrescentou que o saldo da balança de pagamentos é hoje positivo, facto que permitiu recuperar as reservas internacionais líquidas, desde o seu nível mais baixo, 12 biliões de dólares, em 2009, para 17,6 biliões, em 2010. Segundo o FMI também a balança corrente regista uma evolução positiva, passando da posição deficitária de 1,8% do PIB em 2010 para um excedente que corresponde a 6,2% do PIB em 2011 e de 9,5% em 2012. Mais uma vez, em comparação com as estimativas de Outubro de 2010 constata-se uma melhoria da posição angolana, já que, na altura, as previsões apontavam para um saldo da balança corrente, em percentagem do PIB, de 1,3% em 2011 e de 3,3% no próximo ano.

Inflação é o calcanhar de Aquiles
A inflação é que continua a ser o maior quebra-cabeças da política económica, passando, em termos médios, de 14,5% em 2010, para 14,6%, este ano, e descendo para 12,4%, em 2012. Neste ponto, as perspectivas do FMI pioraram em relação às projecções de Outubro, as quais apontavam para 13,3% em 2010, 11,3% em 2011 e 10,9% em 2012. Fica assim mais longe a promessa de fazer regressar a meta da inflação para apenas um digito, algo que, segundo o FMI, não acontecerá tão cedo.

Além de crescer acima da média da economia mundial (4,5% em 2012), Angola também ficará acima da taxa de crescimento prevista para os mercados emergentes (6,5%). Crescerá também acima da média da África Subsariana (5,5% em 2011 e 5,9% em 2012) e dos países africanos exportadores de petróleo (6,9% em 2011 e 7% em 2012). Em 2011, o crescimento angolano só será superado pelo do Gana (13,7%). Em 2012, será o país africano que mais crescerá e o terceiro a nível mundial.

Para o FMI, a subida do preço das commodities terá um impacto globalmente muito positivo na balança comercial, dado que os efeitos negativos decorrentes da evolução dos preços dos produtos alimentares serão sobejamente compensados pela subida do preço do petróleo.

A este propósito, o FMI estima que a procura mundial de petróleo atinja, este ano, os 89,4 milhões de barris diários (acima dos 87,9 milhões consumidos em 2010 e os 85 milhões em 2009).

No seu conjunto o FMI acredita que a economia mundial vá crescer 4,4% este ano, registando-se assim uma ligeira desaceleração em relação aos 5% registados em 2010. A descida tanto afecta as designadas “economias avançadas” (cuja taxa de crescimento passa de 3%, em 2010, para 2,4%, em 2011) como as “emergentes” (que caem dos 7,3%, alcançados em 2010, para os 6,5%, estimados para 2011). O próximo ano já será um pouco mais risonho, dado que a economia global deverá melhorar ligeiramente o seu desempenho, alcançando um crescimento de 4,5%. Os países ricos, porém, continuam a desiludir. No próximo ano, os Estados Unidos (2,6%), o Japão (2,1%), a Alemanha (2,5%), o Reino Unido (2,4%) e a França (2%) vão continuar a crescer abaixo da média mundial.

Portugal será o que menos cresce
Os BRIC são a nova locomotiva do crescimento embora apenas a Rússia e a África do Sul melhorem o seu ritmo de crescimento. Em 2012, a China, que crescera 10,3% em 2010, deverá aumentar o PIB 9,6%, este ano, e 9,5%, em 2012. A Índia desacelera de um crescimento de 10,4%, em 2010, para 8,2%, este ano, e 7,8%, no próximo. Também o Brasil regista a quebra de 7,5%, em 2010, para os 4,5%, este ano, e 4,1%, no próximo. Pelo contrário, a Rússia, que cresceu 4% em 2010, crescerá 4,8% este ano, abrandando a progressão em 2012 (4,5%). Já a África de Sul, recupera este ano do modesto crescimento de 2010 (apenas 2,8%). Em 2011 crescerá 3,5% e, em 2012, 3,8%. O desemprego continua a ser o maior problema da economia sul-africana cuja taxa atingiu 24,8% da população activa em 2010, baixará para 24,4% este ano e 23,7% no próximo.

Ainda no que diz respeito à África Subsariana, além dos já referidos casos exemplares do Níger e de Angola, completam o top five do crescimento no continente a Libéria (9,8%), a Etiópia (8%) e Moçambique.

Nos restantes países onde se fala português também há boas notícias. Timor-Leste vai crescer 8,6% em 2012, Cabo Verde 6,8%, São Tomé 6% e a Guiné-Bissau 4,5% (todos acima do Brasil com os já referidos 4,1%). A excepção é mesmo Portugal cuja economia irá regredir 2% em 2011 (em todo o mundo só a Costa do Marfim estará pior com uma contracção de 7,5%) e subir 0,3 em 2012 (o valor mais modesto da listagem). Por regiões, a África Subsariana (5,5%) só é batida pela Ásia (8,4%) ficando à frente da América Latina e Caraí-
bas e do Médio Oriente e Norte de África (ambos com 4,2%). A confirmarem-se as previsões do FMI para 2012, Angola terá um ano vitorioso em todas as frentes.

Fonte: exame angola

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